Espaço Idílico...

LEITORES...

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Olá...!

Estes poemas são lugares de minha casa emocional... sintam-se a vontade, estiquem as pernas e pensem em lugares da vida que pertencem as coisas da alma...

Sandro A.

Poetas e Escritores do Amor e da Paz

09/01/2012

PARTE E TODO...

Viver não é parte,
nem é inteiro.
É ver a gota

lenta,
decidida,
pingar e virar ribeiro.

Viver é metáfora
de respiração surpreendente;
ofegante êxtase,
Filha da fecundação.

É tocar violão
com a ponta dos dedos
cheios de
calma,
alma
e coração.

É respirar fundo;
é ir
a fenda,
a fossa,
ao fusco.

Viver é isso,
é aço,
é osso.

Viver é a reunião
de todo esforço.

Aspirar cada passo,
cada voo,
reatar com o pouso,
principiar muito,
findar um pouco.

Fecundar a manhã
antes da noite acabar.
Ver uma célula morrer,
outra viver
e contestar toda dor,
só pra subverter o concreto.

Saber que saudade
não é estar longe,
ou estar perto.
É aperto no afeto.

Se Deus quer assim,
eu espero.
Se não der pra poetizar
me desespero.

Mas no fim do ano,
me ergo um pouco
por que daqui à pouco,
tudo é começo de novo,
e eu nesse negócio
de viver. 


San Rodrigues

05/01/2012

ALVÉOLOS...

O
   vento
            é
     leve
    e
        respiro
   tão
  pesado.


San Rodrigues

ENFIM...

E no fim do dia,
    duas lágrimas
       explicam aos olhos
          o que é saudade...


San Rodrigues

ÂNSIA...

Fui me
        convencendo
de   que o
        espaço
    era         pequeno
        na conveniência
                e me mudei
                               para o poema
                mais próximo.


San Rodrigues

AOS PEDAÇOS...

Caí
pelo
leito
do dia,

escorri pelas horas selvagens,
fui entre um minuto e outro,
até o remanso cheio de segundos,

senhores da vida toda.

Um
pouco
de mãos,

um pouco de pés,
alguns olhos,

tantos narizes,

bocas
de
felizes
e
infelizes.

Tudo do tamanho da respiração
e eu inequívoco,
só prestando atenção às firulas
de minha alma.

Obrigado Deus,
por eu ter pés para os sapatos
e pernas para as calças
e no meio do desatino,
um poema
para a
alma.


San Rodrigues

ASSOVIAR...

Quando amanheci,
abri os sonhos e acordei.
Tomei um banho de amanhecimento,
penteei alguns entendimentos
e emotividades.
Experimentei duas ou três máscaras,
mas me vesti de anarquia
e depois de uns goles de desespero,
folheei todas as inquietações do dia.

Nenhuma Novidade.

Respirei até o nó da garganta,
um mistério antigo,
no lugar mais fundo de meus olhos.

Fechei os olhos.

Tranquei a alma e sai.
Segurava nas mãos
todos os segundos que eu podia,
todos os que eu achava e invadia.

Mas foram escorrendo.

Apertei as mãos
e o futuro derretia debaixo do presente,
embaixo de meus pés.
E meus pés reformavam os passos
e não parei até andar mil pensamentos
e parar frente ao despenhadeiro,
no ponto exato,
que a vida me pergunta
o que de fato quero.

Fiz um tumulto em mim.

Eu não.
Minhas memórias que se esfregam,
se faíscam,
se incomodam
e parem poesias bastardas.

Desci meus subúrbios,
nos becos mais marginais
de certos sonhos a procura dela.

A resposta!

Depois de uma era que engaiolei no minuto,
pedi que ela se casasse
com meus distúrbios.
Ela se casou e desentranhou
o dia seguinte inteirinho
na porta do meu espanto
e nunca mais me assustei
com aquilo que chamam de “fato”.

Fui ao despenhadeiro e lhe disse.
Só lhe disse.
Foi tudo que lhe disse.

Que eu queria ser eu,
apaixonado,
leve e entusiasmado.

O despenhadeiro olhou interessado
se inclinou e se jogou em mim.
Chorei um temporal esparso
e tive meu próprio arco-íris
antes de qualquer dia terminar,
de eu terminar,
da vida desligar
e o sol apagar.

Deus estava aqui.

O sabiá sabia.


San Rodrigues

DE TANTO...

Poemiso-me
por que perambulo
em quem me leia.

De vez em quando,
por enquanto,
de tanto,
de muito,
fui ao fundo,
fui a tona,
driblei-me com
a frase átona.

Que Deus me perdoe
a descompostura,

mas me desafio entre
as sílabas de certeza.

Se o passo é
me desfazer,
sei que não posso
e me sobro em qualquer
coisa de viver.

Bendita seja
a eternidade do mosquito.
A batalha da borboleta
e a sinfonia do grilo.

Porque antes do fim,
sou um fragmento do tudo
que encerra


San Rodrigues

04/01/2012

ALMA PURA...

Se as palavras se aproximam,
as escreve.

Se elas vestem,
as dispa.

Se insistem,
as toque.

No toque há visita.
Se embrenha em todo o não dito,
e no meio do só,
do eu,
do outro.

Faz silêncio,
faz mesura,
No meio do pecado
tem uma alma pura.

Todas as palavras estão
cheias de um tipo de ar
que eu devagarzinho
respiro.


San Rodrigues

BROTO...

A semente
desabotoou 
          a casca
      e mostrou 
                      para a terra
sua primeira espinha.
                  A terra sorriu
              e contou 
                  sobre arvorear
                              ao broto adolescente.


San Rodrigues

DESCASCA...

A terra,
com a semente
no colo,
não sabia
como explicar,
mas garantiu
à sementinha,
que debaixo
da sua casca
tinha uma
lavoura inteira
de sorrisos laranja.


San Rodrigues

EM BOLA...

Dei
uma
bola
na mão de uma criança,
ela foi pro quintal
e
brincou
de
eternidade.


San Rodrigues

PELADO...

O poema, esse parnasiano,
Brota todo pelado
e rebelado,
com uma risada de Olavo,
ousada e sonsa na cara.
Cheio de vergonha,
o poeta mais romântico,
vai no armário,
pega verbos azuis listrados
adjetivos de hálito febril,
substantivos órfãos de vontade
e veste o poema de nominalidade,
e deixa ele,
uma dessas figuras.
Coisa de linguagem.
E o poeta,
estivador de quimeras,
de ar e duração flanada.
Vasculha na palavra,
a roupa certa pro poema.
Mas quem veste um grito?
Um suspiro?
Um desejo?
Quem veste o vento?
Uma bolha?
O momento?
Cada verso é epifania
e bagunça que inverte
a largura e o comprimento.
E no fim do evento,
somos nós sem ressarcimento.
Poeta calado,
feliz
e realizado,
vestiu o poema
de toda linguagem,
regra
e metragem,
mas passou a vida
com a alma pelada.
Benditos os nus,
pois deles é a poesia.


San Rodrigues

CRONOVITA

O tempo trinca
os mármores de Creta,
invade e marca
o rosto jovem de Greta.
Diz silêncio as marchas
e revoluções,
aquelas que lutam
nos pés e olhos,
mas nascem nos corações.
O tempo abre frinchas
em todas as minha durezas.
Meu Deus,
quem penso que sou
com estas frágeis certezas?
O tempo toca
e desafina o piano.
Violenta o passo,
a poça,
a pressa,
e o pano.
Murcha a laranja,
a maçã
e meu orgulho,
me encerra no meio da festa;
do viço
e do marulho.
Ao tempo,
nem o tempo do relógio resiste,
avança,
invade,
permanece.
Insiste.
O tempo curva,
doma e doutrina impérios,
junta o norte com o sul,
costura os hemisférios,
faz paz em um tufão
e um tufão em
qualquer delírio.
Meus Deus,
como é nobre
e poderoso o lírio.
O tempo esgota os números,
apaga estrela,
lento desliga as pessoas.
Deserta abundâncias,
Desespera tristezas.
O tempo todo dia
desafia Deus.
E Deus ri gostoso
dessa criança.


San Rodrigues

RUÍDO...

Pedra,
passo,
rangido,
passo,
pedra,
rangido,
range a pedra no passo,
passo range na pedra,
passo rangendo a pedra.
Para!
A mão estréia e pega a flor!


San Rodrigues

PRONOME...

Lá
estava
o
eu
chorando.
Sozinho
e com alguns pensamentos escolhidos a dedo.


San Rodrigues

LASCA...

Cada vez
que o escultor
feria a pedra,
silencioso
o cinzel dizia:
Haja!
E assim se fazia.


San Rodrigues

BOAS VELHAS...

A pedra ouviu
Puccini,
viu as bailarinas de
Degas,
o Cirque Du
Soleil,
leu Faulkner
e Heidegger.
Se aproximou
das cores de Cancline
e das teorias de Kepler.
Viu as partidas
de Karpov,
e os lances
de Lasker.
Assistiu Luzes da Cidade
e leu tudo de Lobato,
Viu a Arara voar,
viu as fotos de Salgado.
Entre uma cor,
uma nota,
um odor e um movimento
a pedra mexeu,
rachou a casca dos anos,
lentamente e lenta cedeu
à duas asas nascendo,
depois o bico,
o trino
e o voo.
Se os passos não voarem,
as próprias pedras voarão.


San Rodrigues

COM FUSO...

Lenta e passante
a saudade
de meu próximo
instante delgado.
Me refutava,
com apenas fragmento sonhado.
Mas refutei a insensatez,
admiti a invalidez do passado
e guardei sementes
de futuro
na brecha
de minhas coisas concretas.
Para o verde
vencer o muro.


San Rodrigues

PERFEITO...

Equilibrava nas palavras
que comem gente,
todas as suas acepções.
E não sei como equilibrava
a ânsia.
De pé,
deitado,
ausente, amargo,
tão divergente.
Ficava sempre
entre o bemol e o sustenido.
Neutro na tarraxa,
rosnado no estribilho.
Não sei como se equilibrava,
as vezes caia.
Incerto planava,
de certo ruía,
tão certo voltava,
em delírio fugia.
Não sei como equilibrava
os pontos cardeais,
com os pecados capitais
e as redes sociais.
Perfeito!
Tinha anistias
para as frustrações encarceradas
desde o último natal.
Não se perdoava,
mas não morria,
porque de alguma forma,
ainda se equilibrava
nas palavras insaciadas.


San Rodrigues

SILENZIO...

Há o silêncio da estrada,
há 0 silêncio das estrelas,
há 0 silêncio da espera,
há 0 silêncio da pedra,
há o silêncio do lago,
há o silêncio dos ventos,
há o silêncio imenso,
há o silêncio da catedral,
há o silêncio da oração,
há o silêncio do coração,
há o silêncio do medo,
há o silêncio das folhas lidas,
há o silêncio da caneta patinando,
há o silêncio dos barulhos,
há o silêncio da morte,
há o silêncio do silêncio.
   E
      o
        curió
                cantando
                              para
                                     embarulhar
                                                          todos
                                                                   os
                                                                        silêncios.


San Rodrigues

VAGO POR...

A noite foi vazando
por entre meus sensos.
Lenta,
pingada,
goteira
em cima da minha
indolência.
E a consciência
foi ficando diluída,
dissolvida,
menos precisa,
menos densa.
A noite vazou
até a última gota
e minou minha resistência.
Noite mole em alma dura...


San Rodrigues

OBLÍQUO...

E no fim
me sou,
o que sonhei ser,
antes de “o fim”
deixar de ser
substantivo.


San Rodrigues

Letras e Atos...

Este espaço é um ensaio para a escrita fotográfica, aquela que vê a cena e provoca as palavras para que possam construir a metáfora da imagem.
Gravando as imagens do diálogo, dos gestos, dos paragrafos, do detalhe nos verbos, em assustadores substantivos e adjetivos maleáveis... que possam traduzir emoções guardadas num lugar secreto.

San Rodrigues

toda leveza nasce de um instante de reflexão...