Espaço Idílico...

LEITORES...

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Olá...!

Estes poemas são lugares de minha casa emocional... sintam-se a vontade, estiquem as pernas e pensem em lugares da vida que pertencem as coisas da alma...

Sandro A.

Poetas e Escritores do Amor e da Paz

14/12/2011

DESCARADOSIA...

Frida de coisas indomáveis.
Rimbaud de palavras
perdendo a decência.
Eliot e ausências bravias.
Warhol inquietando as
coisas sérias e tardias.
Oswald com todos os Andrades,
esticando uma semana por 22 milênios,
Comendo gente.
Renitentes com os renitentes.
Anita Tonitruante com as tempestades.
Meus Deus!
Estou com as palavras delirantes
numa febre de poesia.
Quem me domou?
Em que respiração estou?
Qual minha cor embaixo da pele?
Quem me formou que me leve.


San Rodrigues

MIMÉSIS...

Atrás da poesia
moram espantos
e apaixonados desesperos,
corações de vermelho rachado,
flores nascendo
na frincha da hesitação.
Eu no poema voo
enquanto ando pelo chão.


San Rodrigues

EX CENTRO...

Eu ando lentamente e paro,
eu paro lentamente e respiro.
Eu respiro lentamente e choro,
eu choro lentamente e odeio,
eu odeio lentamente e abandono,
eu abandono lentamente e desespero,
eu desespero lentamente e fujo,
eu fujo lentamente e escrevo,
eu escrevo lentamente e amanheço,
eu amanheço lentamente e abraço.
Eu abraço lentamente
e lento faço tudo
com certa
pressa de
amar.


San Rodrigues

DEUS E EU?...

Eu depois de perder tantos eu,
ainda tinha alguma virgindade.
Passos não andados,
sons que estavam
saindo dos rins para a voz,
olhares ainda íntegros.
Nem verdades,
nem mentiras.
Apenas os pensamentos
em estado líquido
sinuando toque.
Deus veio na viração do dia
e perguntou pelo eu.


San Rodrigues

LETRATOS...

As fotos são uma dança
de cores alternativas.
Um esquife,
esperando que a saudade o olhe,
para que volte a respirar.
Respirar.
As fotos só respiram
nos olhos de quem vira o álbum.
Cada folha,
cada alma pintada,
colada até amarelar
e ficar sépia.
Tenho uma foto do vento de perfil.
O vento ia carregando
as folhas secas,
e uma ia dizendo a outra,
as palavras de outono.
Ai peguei a pena
e dedilhei sutis palavras,
amarrei um, dois, três sorrisos
num passarinho
e me levei de olhos pálidos.
Onde moram as memórias, todas minhas.
Todas irmãs do poeta.
Um soneto se excedeu de mim
e ficou assim,
livre naquelas fotos.
Damas amarelas.


San Rodrigues

LUZ DE VÉU...

A luz da vela excedia
a cera e o pavio.

T
o
d
a
s

as sombras nas minhas saudades dançavam.
Meu olhar
escorria com a luz.

c  v   q
o  a  u
r   s   a
t   o  d
i   s   r
n      o
a       s
s

lentamente lambidos
pelo fragor do bruxuleio
em borra.

As palavras escapavam da ponta da pena
e dissolviam,
virando poema e grudando em meus vãos.
Prosas soprando brisas.
Soprando brisas.
Brisas.


San Rodrigues

SÓ FIGURO...

A madrugada invade
a superfície do verso

Escorre nas veias,
Bombeado de coração,

alma e fleuma.

Respirado,
suspirado,
expirado,

inspirado
                    de
                    prosódias.

O tecido do medo é espesso.
Enquanto os minutos gotejam
me ensopo de ânsia.
                               Tudo é um no desespero:
madrugada,
superfície,
alma,
verso,
coração
e pronomes.

                                   Só na estrofe sou real,
                                   no resto sou figura de linguagem.


San Rodrigues

E O VERBO SE FEZ CARNE...

Ninguém do lado de fora
ouve quando um poema acontece.
Dá pra se ouvir
gritos,
reclamações,
roncos,
distrações,
mas o poema não!
Ele não range,
não barulheia,
faz tão pouco movimento
que meu coração
acaba ouvindo meus pensamentos mais quietos.
Eu tinha um amigo assim,
tão suave.
Uma calma de deserto.
Tão silencioso
que se ouvia seus olhos
rasparem na pálpebra
e quando sua voz saia,
os fonemas plumavam
entre o ar e o respiro.
Paciente, paciente.
E quando se irritava
era calmamente.
Ele me disse tanto quando
não me dizia nada.
Se movia tão bem
entre o silêncio e a palavra,
que acabei concluindo
que meu amigo era um poema,
com pâncreas,
intestino
e dedos.
Fui rindo,
fazendo da beira do caminho
uma nova estrada.
São assim poesias encarnadas.


San Rodrigues

13/12/2011

ISÓTOPOS...

                    Andam acontecendo
                            atividades nucleares
                                    em meu coração.
Tenho um metro e noventa e um
de saudades represadas,
esperanças angustiadas,
fotos amareladas.
                                  Antiguidades
                                  renovadas
                                  no relógio.
Eu tão rebelado e prisioneiro do sapato
preso ao passo.
O mais leve dos poetas,
escreve com uma tempestade
que sai da alma e vai para a ponta da caneta.
Leva, todo dia maremotos
e correntezas pro papel.
Um tropel bizantino,
os passos de um milhão de persas.
                      Lá pelo fim da paciência
                                    dormi do meu lado aflito.
                                                      Acordei meio demente,
                                                                       acordei meio poeta,
com borboletas Ceciliadas,
tamanduás Bandeiras,
Drummonds de pedra,
Castros e Alves apaixonados
e Gonçalves com saudades
do gorjeio das palavras
que voam atrás dos sabiás.
                                                     Estou nuclear
                                                     com meus átomos
                                                     em versos respirados
                                                     profundamente.


San Rodrigues

PULMÃO...

Inspira, Expira.
Nasce o cogumelo.
Inspira, Expira..
Fica adulto o carvalho.
Inspira, Expira.
E o coração empurra a idade nas minhas veias.
Inspira, Expira.
Inspira, Expira.


San Rodrigues

GERMINAÇÃO...

.
rc.
u rscl.
u c resci la.
eu ca rescito lar.
rreu cao rescitou lara.
rreu caro ressuscitou laran.
Morreu caro ressuscitou laranjal.
Morreu caroço e ressuscitou laranjal.


San Rodrigues

12/12/2011

HAI TARDE KAI...

Minha cortina
A brisa e a tardinha laranja
Valseando leve.


San Rodrigues

ATÉ QUE...

Recolho-me ileso ao passo!
Reolh-me ilso ao pass!
Reoh-e ils ao pss!
Reohe il a ps!
Re il ps!
R i p!


San Rodrigues

TUDO RETORNA...

Lentas as palavras voltam ao pó e eu fico...
Lntas as palavras voltm ao ó e eu fico...
Lntas as palavra votm ao ó e eu fic...
Lnas as palava vom ao ó e u fic...
Lnas s palva vo a ó e u fic...
Lnas s palva v a ó e fc...
Lnas s pala v a ó f...
Lna s pal v ó …
Lna s pa ó …
Lna s aó...
L s aó...
só.


San Rodrigues

ESTRELA...

Uma estrela
suicidou-se num piscar cadente.
Foi breve,
filha do instante,
pediu a Deus para morrer contente,
num pedido indigente.
Mas ninguém viu.
O hemisfério estava cheio de tarefas:
amarguras,
dobraduras,
asfaltos,
contas
e agruras.
Mas Deus ouve as estrelas.
E plantou Seu brilho breve e distante,
nos olhos de poetas.
Que pegam palavras,
enchem sílabas de encanto,
dão corda nos mistérios
e acendem luzes estelares
nos olhos frios
do hemisfério.


San Rodrigues

10/12/2011

AGUACEIRO...

A gota breve e lenta,
faz goteira,
faz orvalho.
Faz ribeiro,
ribeirinho.
Rio pequeno
e riacho.
Que diacho.
Coisa linda!
Essa coisa de amar,
uma gota aqui
e outra ali
e no gotejo faz um mar.
Fui versando o pensamento
com a emoção em correnteza,
desaguando no oceano
apaixonado com certeza.
Sonho com versos ao seu gosto,
só pra te encantar,
quando essa lágrima em seu rosto
fez meu deserto virar mar.


San Rodrigues

09/12/2011

FOGÃO A LENHA...

Estalo,
retalho,
fumaça
e café.
Eu e meu amigo,
conversando na beira
das histórias de um fogão a lenha.
Leve.
Felizes.
Saudosos.
Meninos.
Caneca na mão.
Nos olhos um sorriso.
Alma sentada
e corpo de pé.


San Rodrigues

LIRA...

Compus um poema,
alguns versos por amor,
coisa louca é essa prosa.
De amar,
enamorar.
Fiz versos de amar,
emoção que não reprimo,
com êmbolo empurro paixões,
desesperos,
desatinos.
Não espero que me entendas
minha flor,
minha doce rosa.
Se continuares a me amar,
isso me basta,
isso é resposta.


San Rodrigues

LAMPEJO...

Penso
o
pensamento
o
passado
passou
se passo
não
repenso
uma
pessoa
me
amou.


San Rodrigues

CUORE E CORES...

Melodia amarela,
voz cinzenta,
violino esverdeando
o azul da inocência.

Pardas apogiaturas,
vermelhos fermatados.
Medos, lutos, euforias.
Meus lilases,
meus passados.

O adágio de Albinone,
o trillo de Tartini,
o bolero de Ravel,
o piscatto de Paganini.

Jogo as cores para o alto.
Não temo ao deus Osíris,
acredito no sagrado.
Deus cantou no arco-íris 


San Rodrigues

INSANA VEEMÊNCIA...

Em pecado me concebeu minha mãe.
E depois disso
foi minha a vez
de pecar
e fazer minha própria
coleção de erros.
Falhei até ficar
como único pecador na terra.
Milan também pudera.
Eu no meu insustentável peso de viver.
Me fiz denso,
me fiz espera.
Esperava o perdão como
quem se desespera.
E fui traspassado
na metade
de uma quarta-feira de cinzas
pelo brado de “perdoado”!
Deus me perdoou
no inundante milagre do choro.
Obrigado.


San Rodrigues

POEMA SECRETO...

Vi as
Frágeis flores
de pétalas brancas
e deduzi que
as dores exalam
as antigas saudades
como as que nasceram
lindas no
meio de meu
pequeno jardim


San Rodrigues

SANTUÁRIOS...

Freud cansado,
confrontado com seus limites,
desafia as palavras
e manda o mistério
se “consultar com os poetas”.
Amigos!
Não nasci com o poemas em mim,
nasci com a poesia,
freando minha respiração,
entre as pernas de minha resistência.
O desabafo e a decência
são indiferentes à impertinência.
As palavras agarram minha
dor pelo colarinho do desatino
e trazem a tona,
no anzol de cada predicativo e sujeito,
meu riso nervoso.
Me sou o verso,
que conheço menos e melhor.
Não rimo
obverso com adverso.
Rimo com reverso;
por que suspiro para me revirar.
Ver toda dor que há
por debaixo da pétala.
E no futuro
me transbordei na prosa,
só por que não caibo no meu susto
de viver;
mais um minuto.
Quiçá um dia.
Oxalá uma vida.
Orquídeas é que moram na eternidade com Deus:
Quebro-me,
quedo-me,
ergo-me,
vergo-me,
medo-me,
temo-me,
peço-me,
peco-me.
Envio-me para o outro
lado do rio,
porque nasceu uma ponte.
Sem ponte
é impossível agradar a Deus.
Assim diz o poema.  


San Rodrigues

DIFUSOS...

Tenho restos em mim
que não se denominam,
se afastam
na derivação continental
me largando na fissura milenar.
Difuso.
Fundido.
Fodido.
Sou minha Babilônia;
minha própria Caldeia.
Meu exílio;
só quero voltar
para minha terra.
Sou rutilante.
Sou devasso.
Sou hora.
Sou atraso.
Sou revira.
Sou volta.
Sou espanto.
Sou pensamento vazio.
Sou passivo ardendo.
Sou ativo mordendo.
Sou sutil trombando sílabas,
capotando luxúrias,
invadindo pensamentos,
devorando esquecimentos.
Perdão Senhor,
pelo meu próprio inferno.
Um profeta me disse,
que é dos subjetivos o reino dos céus.
Sou esclerose sutil,
continente negro,
a beirinha de qualquer angústia.
As mesmas coisas,
minha vaga culpa me procurando
nos “si mesmos”.
Minha certeza é meu dilema.
Óbvio.
Poincaré calculou minha expansão
e jogou a equação lá fora,
onde ninguém
em sã demência mora.
Mas ta bom.
A obsessão diz que me repito,
mas recordo:
Sou
movimento
retilíneo
uniformemente
variável.


San Rodrigues

Letras e Atos...

Este espaço é um ensaio para a escrita fotográfica, aquela que vê a cena e provoca as palavras para que possam construir a metáfora da imagem.
Gravando as imagens do diálogo, dos gestos, dos paragrafos, do detalhe nos verbos, em assustadores substantivos e adjetivos maleáveis... que possam traduzir emoções guardadas num lugar secreto.

San Rodrigues

toda leveza nasce de um instante de reflexão...