Espaço Idílico...

LEITORES...

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Olá...!

Estes poemas são lugares de minha casa emocional... sintam-se a vontade, estiquem as pernas e pensem em lugares da vida que pertencem as coisas da alma...

Sandro A.

Poetas e Escritores do Amor e da Paz

21/10/2011

NOSSA ILHA...


Ajustei o leme das primeiras horas do dia,
naveguei por intuições,
desviei de contra sensos,
vi o céu da saudade,
pequei palavras certas.
Quantos lugares fundos.
Vi uma luz ousada
no fundo de seus olhos,
os olhos e seu brilho coincidiram.
Eu coincidi com você
em meu mar,
mas até o fim do dia,
preciso chegar a ilha
do som de sua voz
e colonizar palavras que você
vai me dizer,
e conquistar as terras de eu e você.
Toda minha viagem
nas horas está contida,
minha alma é o barco
e meu mar é esta breve vida.


San Rodrigues

20/10/2011

DECIDO...

Esperar
não é estático,
é verbo.


San Rodrigues

SÓ...

Solidão...
ninguém perto
ou eu longe.


San Rodrigues

FORJA...

Eu
este instante
entre
o martelo
e a bigorna,
na dança
da forja.


San Rodrigues

ACORDANDO...

Espere um instante
e num instante,
o instante é passado.


San Rodrigues

LABORATÓRIO...

E fui
me inventando,
lenta
e taciturnamente
no outro.


San Rodrigues

CERTA BELEZA...

Deus,
Mora na 
Saudade...


San Rodrigues

MEU BECO...


Um dia desses,
vou provocar um pensamento
momentâneo na saudade,
vou olhar nos olhos de minha memória
e iludir seu brilho,
vou fazer uma massa
com minhas conclusões
e esculpir um futuro,
antes que entardeça.
Nunca tive medo de tudo,
somente das coisas que não assustam.
Um dia desses
eu me provoco,
me empurro e caio,
e quando doer me dou a mão
e levanto-me
É assim que me iludo.
Dei ópio a minha ilusão
e minhas palavras acreditaram
em mim,
disseram que eu tinha razão
e eu me vesti de pronomes
para provocar as frases
de um dia desses.
Um dia desses,
vou provocar o futuro
a me contar como conheceu o passado
e por que se casaram sem luar,
e sei que rirão,
pois é isto o que fazem
o passado e o futuro;
riem.
Um dia desses acordo
e esgrimo com o papel,
e lhe enfio uma palavra no coração
e o deixo lentamente dobrar,
e ai enterro-o em algum correio
esperando quem ele vá ressuscitar.
Um dia desses.
Um dia.


San Rodrigues

18/10/2011

ENCONTROS NOTURNOS...

É a noite
que doem todos os pensamentos
que trombaram com
minhas esperanças
durante o dia.
É lá pela madrugada
que nado até a superfície
de duas ou três memórias
e me amarro
aquelas palavras
que boiam no ar.
Levei meu sono a um tribunal,
e julguei-o por ter fugido
das muralhas de minha noite,
e todas as manhãs
o encontro boêmio,
voltando para casa.
Estou com sono
e tento dormir em pretéritos imperfeitos,
para sonhar com um futuro mais que perfeito.
Mas sonhar é um sonho
que fica acontecendo nos dias mais frios de realidade,
apontei para o espelho
toda dor guardada no olhar e atirei,
só consegui acertar as costas do meu coração,
levantei-me ferido,
com a morte rindo da minha vida,
suicidei o medo,
olhei para mim,
morri um décimo para dormir
e acordei no meio do sonho.


San Rodrigues

PACÍFICO...


Meu poema
era uma ilha
no meio da folha.
Minha folha mar.
Eu nauta.
Com saudade de amar.


San Rodrigues

POEXO...

Peguei a folha virgem,
e a seduzi
à luz de velas
e a fiz
mãe
de mil versos.


San Rodrigues

A NOITINHA...

O céu profundo
me olhava
em silêncio
e eu insistia
em dar número
as estrelas.


San Rodrigues

17/10/2011

SE HOUVER...

Procura-se um poeta.
Que não chore, não ria, não espere.
Procura-se um poeta, que esbraveje, rasgue, queime.
Procura-se um poeta, que entenda, que responda, que saiba nadar.
Procura-se um poeta, que não queira o deserto, a árvore, o silêncio.
Procura-se um poeta, feliz, largado, perto.
Procura-se um poeta.
Que durma, que acorde, que não sonhe.
Procura-se um poeta, descontrário, ardiloso, puro.
Procura-se um poeta.
No metrô, no escritório, na prisão.
Procura-se um poeta.
Vespertino, matutino, de madrugada..
Procura-se um poeta,
e a ele negocio o meu direito a vida,
pela sua poesia.


San Rodrigues

NADA...


Há pessoas que nos roubam.
Há pessoas que nos devolvem.
“Nada” é passivo,
“nada” é um movimento, 
“nada” é uma palavra 
esperando ser.


San Rodrigues

EU NO CANTO...


Venho observando
por semanas este casulo,
quando cheguei
ele já estava aqui,
não o vi de imediato,
mas tenho certeza de que me viu chegar,
mas tenho lhe observado,
e definitivamente,
enquanto aqui fora há uma
tempestade de coisas acontecendo,
ele fica ali passivo
pendurado naquele cantinho do teto,
uma presença ausente,
suponho que haja
alguma coisa viva ali,
mas o mundo é essa dança
de suposições entre uma coisa
e outra.


San Rodrigues

ME DIGA...


Diga,
espelho, espelho meu:
Eu sou o que vejo
ou quem me vê sou eu?


San Rodrigues

SUSPIRO...


Tinha uma
expressão bondosa,
mas distante,
posta no vazio.


San Rodrigues

ENTRE UM SORRISO...


Uma das lágrimas
que verti
ao ler seu poema,
pois ainda choramos,
ofereço a você
e seus conhos,
a outra;
a doce quietude
que você emprestou ao universo,
juntando uma palavra antiga
a uma alma nova,
e com a terceira
tento regar os lugares secos
de minha alma,
aqueles em que o sol
de dias difíceis ardeu,
hora para eu sofrer
e aprender a rir
e a chora...
obrigado,
se me permitir chamar-te...
poeta. 


San Rodrigues

CERTA LINHA...


descrever o mal é muito difícil,
eu prefiro escrever
o que há de bom nas pessoas,
e para isto,
preciso afastar certo véu,
uma linha divisória,
invisível,
mas que cega.


San Rodrigues

SÓ ASSIM...


Minha memória
é uma paisagem randônica,
toda a transitoriedade de dias
que guardei num lugar
que não me é tão claro,
entre risos e choros,
coisas que eu guardei,
lixei,
pintei de uma outra cor
e chamei de um outro nome.
Estou bastante confuso,
mas prefiro assim.


San Rodrigues

TEMPO...


Haviam degraus dentro de si,
e ele precisava subir lentamente;
um pé de cada vez,
uma pergunta de cada vez.
Um choro de cada vez,
um dia depois de outro,
como se houvesse tempo.


San Rodrigues

É CEDO...


É cedo...
É sempre assim,
começo.
Mesmo quando o rio corre,
o vento sopra,
o som retine
e o frio e o calor são maniqueistas.
A tarde espera amanhã,
o medo ergue a coragem,
a distância é aqui,
ali é impossível.
O dormir são as asas da borboleta,
o império é uma criança,
a cabeça inclina,
a lágrima pesa,
o piano é antigo.
O rosto é conhecido.
É cedo,
é sempre assim.
O formigueiro é a formiga,
o mar é a gota;
Deus mendigando.
As palmas não aplaudem,
o livro sepulta a voz,
a voz ressuscita no dia glorioso,
a hora é todo dia.
O dia é tantos anos,
e tudo foi tão pouco.
É cedo,
é sempre.
Saudade,
raiva,
bondade,
raiva,
segurança,
raiva,
afago,
raiva,
carinho,
raiva,
esperança,
raiva.
É cedo.
É.
Algo que sei,
quando não se lembra.
A última página.
O último momento.
A tinta,
é cedo,
te espero em breve,
te entendo,
me compreendo,
adio,
atenuo.
Abrando-me,
falto-me.
É assim,
agora,
nunca mais,
nunca é demais.
Na medida.
É cedo.
É sempre assim,
começo...


San Rodrigues

15/10/2011

FECUNDA ESPERA...

Na pergunta é fecunda a espera,
na espera é tensa a busca;
na busca é instante a dor.
Na dor é eterno o choro,
no choro são vermelhos os olhos,
nos olhos acontece a visão,
na visão é certo o olhar!
No olhar eu acho e entendo,
no entender eu me satisfaço;
na satisfação eu nem pergunto,
com a pergunta eu compreendo,
com a compreensão eu sinto desejo,
com o desejo eu inflamo os dias,
os dias desmontam minhas bisbilhotices,
e depois quando me sobro
volto a fazer a pergunta
que fecunda a espera.


San Rodrigues

LÁ NO FUNDO DE TUDO...

Quando meu dia foi envelhecendo,
vi que certa lógica
criou as distâncias,
mas esqueceu que existia a saudade.
Sentei-me e procurei
em meus cemitérios,
as covas de minhas melhores ideias,
todas as que proibi de nascer,
mas a semente doma e amansa a terra,
e triunfa nela.
Assim, minhas ideias
desmentem o obituário.
Mas no fundo das mortes,
certa vida insiste,
intervem,
intercede.
Fiz uma pausa
e a vida respirou,
fiz silêncio
e cada palavra suspirou.
Alcei, e a alma aspirou,
e as tintas de minhas palavras
caíram no papel profundo
e pintaram o escuro
e o corpo desistiu de tirar da cabeça
o que estava no coração,
quando meus sonhos começavam a morrer
vítimas de minhas certezas.
Certezas, essas coisas
que querem nos fazer acreditar
que o sol é só uma estrela.
Mas morri na monografia
e ressuscitei na poesia,
e no subterfúgio deste instante,
as dores acalmaram.


San Rodrigues

ESSA COISA DE ENCERRAR...

O pássaro encerra o voo,
o voo encerra o céu,
o céu encerra o sonho,
o sonho encerra o menino,
o menino encerra o homem no meio da noite.
A noite lamenta,
mas encerra.
O instante encerra o tempo,
o tempo encerra a hora,
a hora encerra meu quinhão
nesse breve esquecimento.
O esquecimento encerra a palavra,
a palavra encerra tanto,
tanto encerra o que eu queria dizer,
dizer nunca encerra tudo.
Tudo é um lugar no papel.
O papel encerra a ousadia,
a ousadia encerra a mão,
a mão encerra o poeta,
que no dom de diluir
se encerra na caneta.
E a caneta inclina
e encerra meu poema.


San Rodrigues

EU INSTANTE...

Os anos subestimam o carbono
e no verão ele acorda diamante,
dessas coisificâncias e paradoxos
que acontecem em algum lugar em mim.
Um dia desses,
na beira de meu olhar,
uns pensamentos andaram
por um denso nevoeiro;
silencioso,
repulsivo,
e eu,
esse fragmento que mora dentro de mim
e as vezes sai e volta,
e pergunta
e rosna,
me coloquei como homem
em qualquer lugar,
com toda minha lenta imprecisão;
dei-lhe poder
e lhe tirei status,
dei-lhe forças
e enfraqueci-lhe os passos
e deixei-me em qualquer lugar
parado ou me movendo
e testei a morte,
se passando não me levava.
Um dia o nevoeiro se desfaz
ou me desfaço,
me esqueço,
me ignoro
e no fim de qualquer vida
me adoto,
como filho legítimo
da última gota de esperança
que se junta as outras
e faz o mar.
Lá por volta dos dias
me revirei,
dobrei uma esquina em mim
e me encontrei
acordando;
eu diamante,
eu instante.


San Rodrigues

07/10/2011

BRINCA...

Deita menina...
deita nos braços desse dia,
faz amor com as palavras,
deixa nascer a poesia...
brinca;
sobretudo,
de tudo ria;
ria da ida,
da volta,
ria do caminho de vida.


San Rodrigues

UM SEGUNDO...

Esperar um segundo
para entender
é uma das coisas que leva mais tempo na vida.
Precisa-se de um primeiro breve intervalo,
para se começar entender qualquer coisa,
qualquer uma,
a mais simples delas.
Um segundo
e no outro descobrimos.
Um segundo.
Exatos 9.192,631.770 movimentos
dos isótopos no átomo do césio 133,
são a gestação e o nascimento do instante.
Os monges budistas tibetanos,
precisam de dois ou três segundos
para decidir onde colocar
um grão de areia
para compor um quadro.
É preciso um segundo
para decidir ou não,
para ver ou não,
para ir ou não,
para a flor,
o vento,
o mar,
a pedra,
o rio,
a vida...
a morte.
Para o próximo segundo,
um só.


San Rodrigues

Letras e Atos...

Este espaço é um ensaio para a escrita fotográfica, aquela que vê a cena e provoca as palavras para que possam construir a metáfora da imagem.
Gravando as imagens do diálogo, dos gestos, dos paragrafos, do detalhe nos verbos, em assustadores substantivos e adjetivos maleáveis... que possam traduzir emoções guardadas num lugar secreto.

San Rodrigues

toda leveza nasce de um instante de reflexão...