Espaço Idílico...

LEITORES...

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Olá...!

Estes poemas são lugares de minha casa emocional... sintam-se a vontade, estiquem as pernas e pensem em lugares da vida que pertencem as coisas da alma...

Sandro A.

Poetas e Escritores do Amor e da Paz

03/12/2011

PASSARINHO...

Nuvens passam,
Passam europeus,
passam tupinambás,
passa o sol
e na noite
o girassol dorme só.
Passam romanos
e Xerxes morre como eu.
Passam bambus,
passam araucárias,
passam as geografias,
passam passos na estrada,
passam pestes e ateus.
Nietzsche passou
e os faraós de Gizé,
passou Walt Whitman
e Patativa do Assaré.
No passado
estão meus passos,
pais do meu caminho.
No futuro
eu me voo.
No futuro eu passarinho.


San Rodrigues

MURO VÍRGULA...

Nasci entre duas eternidades,
a flor
e a saudade.
Com meus genes insubmissos.
Morando-me
e eu debaixo de seu peso.
Me mudei para
um sorriso aflito,
levantei muros,
desses que a relva invade.
Os muros não são perfeitos.
O que está dentro,
pergunta pela vida
do lado de lá.
E antes de a vida terminar,
meu muro fugiu.
E fiquei com tanto espaço em mim,
que cavei um rio abusado,
que foi dormir no mar.
Plantei uma montanha,
que cultivava nuvens.
Colei árvores
e brotaram ararinhas,
pintei um arco-iris todinho
com as cores de minhas verdades,
me ausentei,
por que é assim,
os poemas são feitos
de eternidades.


San Rodrigues

EDELWEIN...

Cai no abismo,
para onde a alma em luta vai,
tinha certeza do destino
fui colher minha Edelwein.
Resisti ao frio das palavras sutis
e ao calor de verão das amizades,
só fui buscar a flor no penhasco,
por que do penhasco
se vê a verdade.
Meio desespero.
Meio saudade.
Todos os passos antes
de o caminho encerrar.
Todo o caminho
antes do passo se replicar.
Eu e meus acontecimentos.
Eu em meus acontecimentos.
Eu me acontecendo .


San Rodrigues

FERMATA...

Senhoras e senhores,
filhos de genes milenares,
absorvam a saudade,
espantem a gravidade,
ausentem ansiedades abissais.
Senhores e senhoras,
de solidões revoadas,
eu preciso inventar
novas palavras,
vozes revolutas,
passos delgados
movendo solavancos,
espasmos,
ardores sagrados.
Eu e meus enganos,
senhoras e senhores
quero dormir Lenine
e acordar Caetano.


San Rodrigues

SÍLABA ENCANTADA...

Nem só de leito
o rio viverá,
mas de todo dia
caminhar pro mar.
Cuidei de uma poesia
do berço a tumba.
Lhe dei mel,
revoltas
e asas.
Cavei tão fundo
que saí inteirinho
numa lágrima;
ousada,
furtiva,
que afoga os olhos,
coura a respiração
e faz a mais dolorida das rimas
ser instante que mora no verso.
Por que hoje,
só dura hoje mesmo,
amanhã isso acaba.
Foi assim
com o arco de Paganini,
Foi assim com a aurora,
na alma contente a vida demora.
Falei minhas prosas para o vale,
e ele as repetiu pra mim;
minha voz,
meu olfato,
meus objetos,
meu tato.
Nada disto me é.
No tudo disto não sou.
Sou reservo ao direito de me regressar
para a rigidez da pétala.
Que o vento balança,
que a brisa leva,
que a sílaba encanta.
Que o verso completa
e no fim do rio,
quando começa o mar,
o desejo do aflito é cavar
no riso
a cova do poeta.


San Rodrigues

02/12/2011

REFLITOADO...

A nuvem nubla,
a água agua,
o olho sonha,
a letra mata.
Deus perdoa,
o diabo empata.
E eu no espelho me reflexo.


San Rodrigues

TENTÁSSEMOS...

Há se eu escrevesse,
se tu amasses,
se ele florisse,
se nós plantássemos,
se vós insistisses.
Eles seriamos todos nós.


San Rodrigues

DILUÍDO....

Não tenho dúvidas,
não!
De que no fim
de qualquer coisa
e no início de qualquer outra,
há espaço para um poema.
Mesmo que seja desses
breves,
pequeninos
e empertigados de ousadia,
ele vem
e insinua nascer ali na fresta
entre um muro que proíbe sonhos
e uma calçada que insiste nos passos.
Não tenho dúvidas,
de que entre a ida e a vinda
há espaço para um destes poemas,
de que no fim de tarde,
um destes poeminhas despretensiosos
avise que a noite não é
a coisa mais longa do dia,
de que um dia
as coisas mais longas
acabarão,
de que acabar é a maneira
que a vida encontra
de começar outros capítulos.
Não tenho dúvidas,
de que um destes poeminhas despretensiosos,
é cheio de dúvidas simples,
daquelas que fazem
o pintor olhar o pincel
e pensar em quais árvores há ali,
se há um rosto chorando
ou apenas um sorriso.
Dúvidas destas que fazem o músico
ir para a beira do abismo
de uma nova composição,
pular e voar.
Dúvidas que empurram
o apaixonado
para o “eu te amo” gaguejado,
perto dos túneis
que levam à certos labirintos do coração.
Assim,
não tenho dúvidas
de que este poema discreto
e convicto
fica na brecha
entre o devaneio
e a saudade inesperada,
entre o ladrão e todas as coisas
roubadas de sua alma,
entre o político
e o medo que teve das promessas
que cumpriu,
entre o poeta,
esta entidade,
que mora entre a palavra
e o assombro de tudo
o que na palavra pode conter,
que naquela manhã
acordou
sem nenhuma dúvida
sobre aquele seu poema
despretensioso.


San Rodrigues

29/11/2011

DISCORDO...

Eu sou assim.
Eu gosto assim.
Eu penso assim.
Eu vim assim.
Eu vi assim.
Eu faço assim.
Assim.
Assim.
Assim.
Vem
o
limite
e
muda
a
opinião
do
eu,


San Rodrigues

ONDE?

Não
acredito
em
imutabilidade.
O
rio
me
contou
no
caminho
pro
marrrrrrrrrr...


San Rodrigues

BORRA...

a vida
é lenta
e bruxuleia
uma vela
em ventania.
o vento
é súbito,
e a vela
se abrevia.
apaga
paga
aga
ga
a
…
..
.


San Rodrigues

POIS É...

Se
é
pra
morrer
eu
morro,
adulto
de
canseira,
mas
não
me
nego
a
morrer
criança
dentro
de
uma
brincadeira
...


San Rodrigues

AMONTOADO...


GENTEGENTEGENTEGENTEGENTE
GENTEGENTEGENTEGENTEGENTE
GENTEGENTEGENTEGENTEGENTE
GENTEGENTE    só      GENTEGENTE
GENTEGENTEGENTEGENTEGENTE
GENTEGENTEGENTEGENTEGENTE
GENTEGENTEGENTEGENTEGENTE

só
faz
SOLIDÃO


San Rodrigues

TIRA-ME...

Tira-me o pão,
tira-me o passo,
atira em mim o arpão,
tira-me o ar falso,
Tira-me dali,
tira-me do agora,
tira meu sorriso,
atira-me lá fora.
Tira minha pressa,
à tira do infinito,
retira-me enquanto falto,
mentira do aflito.
Em mim a tira se rompeu,
quando o dia retirou-se do alto,
o tirano em mim morreu
não é luto,
estou curado.
Tira-me este féretro,
estire-o no passado.
Dois passos vencem três.
O timoneiro vence o barco.
Mas o que, ainda no peito,
me tira a respiração,
é ler Pablo Neruda,
Tirando da fria lua,
versos quentes de paixão.  


San Rodrigues

28/11/2011

PRA O NOME...

EU
TU
ELE
NÓS
VÓS
ELES me diluem em outros.


San Rodrigues

CICLOTRON...

só
todas
as
palavras
juntas
fazem
a
prosa
para
depois
deixarem
de
ser
a
prosa
e
voltarem
a
ser
todas
as
palavras
juntas
e
é
só...


San Rodrigues

ECLIPSE...

a tristeza dura uma noite
ã tristeza dura uma noite
hã risteza dura uma noite
nhã isteza dura uma noite
anhã steza dura uma noite
manhã teza dura uma noite
e manhã eza dura uma noite
de manhã za dura uma noite
m de manhã a dura uma noite
em de manhã dura uma noite
vem de manhã ura uma noite
a vem de manhã ra uma noite
ia vem de manhã a uma noite
ria vem de manhã uma noite
gria vem de manhã ma noite
egria vem de manhã a noite
legria vem de manhã noite
alegria vem de manhã oite
a alegria vem de manhã ite
s a alegria vem de manhã te
as a alegria vem de manhã e
mas a alegria vem de manhã


San Rodrigues

ENSAIO...

Me desfiz,
por que é assim que acontece.
Me pratico
no ensaio de ser outro;
simulacro,
simulado de mim mesmo.
A palavra é um exercício
que evapora.
Volta,
orvalhado,
neblina,
nuvem,
céu
até encontrar Deus.
Deus!
No princípio era o verbo,
e o verbo não era eu.
Eu pronomino
e adjetivo os substantivos do rio,
da rua
e do meu quintal.
Quando a trindade disse haja,
a borboleta assim se fez
e a lagarta
viu que era
muito bom.


San Rodrigues

25/11/2011

FUNDO...

A existência abomina o vácuo,
o passo.
O intervalo.
Procuramos qualquer coisa
para ocupar o espaço.
Mais uma sexta-feira
e eu debaixo de todos
meus pecados,
dos erros mais republicanos,
ao Eros mais sagrado.
Me empato,
me empaco.
Um dia desses
me empacoto.
Frio,
áspero,
ereto.
Queria cara,
coroa e anonimato.
Queria mato
e o que me sobrou
é deserto.
De Tartini à nota,
na ponte dos suspiros,
eu vagando oblíquo,
no mito,
omito,
minto,
menta.
Me deixa sozinho.
Eu
e o vácuo.


San Rodrigues

INCONTIDO...


Plantei uma rosa
consoante
e ela durou
até a última
metáfora.
Enquanto o sono
não vem
a noite dorme lá fora,
profunda em ébano
e eu sonho dissonâncias.
Penso em minhas covas.
Eu e todos os meus passos,
o silêncio,
as pedras,
os sapatos
e a eternidade,
dormiremos ali.
A vida é a insônia da morte.
Meus olhos
versus a coisa olhada
vermelham.
Sejam o que quiser,
eu vejo o que pudermos.
Todo fundo,
todo noite,
eu e minha rosa
sem vogal,
que dispara o odor
no peito de minha saudade.
Tranco a noite
e depois de séculos
abro o dia.
Agradeço a vida
pela companhia.
Agradeço a rosa
por ser metáfora
exalada
até o fim
da poesia.


San Rodrigues

24/11/2011

IDEOGRAFIA...

Eu desatino,
reagente,
colateral,
intransigente.
Com alteridades delirantes,
assustado
e ofegante,
numa redoma;
grito ao verbo que acorde!
Que me suporte!
Deitado ao lado de minha alma,
nem tanto ao sul,
nem tanto ao norte.
Eu e minha dor,
sou toda soma;
balanço e grito
e me moro em coma.
Não suporto,
por isso vim,
não admito,
por isso fui.
Não satisfaço,
por isso fome.
Gosto de Camus,
por isso foda-se.


San Rodrigues

Letras e Atos...

Este espaço é um ensaio para a escrita fotográfica, aquela que vê a cena e provoca as palavras para que possam construir a metáfora da imagem.
Gravando as imagens do diálogo, dos gestos, dos paragrafos, do detalhe nos verbos, em assustadores substantivos e adjetivos maleáveis... que possam traduzir emoções guardadas num lugar secreto.

San Rodrigues

toda leveza nasce de um instante de reflexão...