Espaço Idílico...

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Olá...!

Estes poemas são lugares de minha casa emocional... sintam-se a vontade, estiquem as pernas e pensem em lugares da vida que pertencem as coisas da alma...

Sandro A.

Poetas e Escritores do Amor e da Paz

03/01/2012

NA BEIRA DO LAGO...

Séculos de silêncio
em fluido desespero;
magro,
afoito
e a esperança em histólise,
na rudeza dessas leis do deserto.
A luz.
Luz lenta da estrela vésper
vai encharcando as ruas de Sião,
escorre para as janelas
e pega desprevenidos os olhos da religião.
Troa a trova
e prosa a trombeta
nos pés firmes
dos três reis.
De qualquer reino.
De qualquer destreza.
Deus!
Imanente transcendência da beleza.
Gotejou dos céus.
Uma gota por dia
a cada mil anos,
se plantou na esperança,
desafiou a inteligência.
Escolheu átomos e células,
plantou um coração
na corrente sanguínea
e nasceu num corpo meu,
num corpo seu,
e em tantos nossos,
iguais e deixou-se amadurecer
por trinta e três outonos,
entre verões e invernos.
Até a cruz fazer primavera.
Estrela vesper,
você viu!
A manjedoura inteira viu!
Belém não tinha sinos mas retiniu!
Na beira do deserto,
no silêncio do Tiberíades.
Ele chorou
e o universo inteiro riu.
Anjos,
arcanjos,
querubins
e o pintassilgo estavam reverentes,
ardentes,
lirados pela rima do verso de Miquéias.
E tu Belém Efrata!
Ergue de tuas entranhas
a paz,
a vida,
a graça.
Deus é natento.
Plantou nos dias secos de pecado
o eterno rebento.
Ele mesmo.
No mistério trino.
Nasceu,
cresceu,
chorou
e não deixou os corações
e o céu vazios.
Deus nasce na brecha esquecida,
planta-se no minuto frágil
e daqui à tão pouco,
mais breve do que os olhos,
á lágrimas entendem isso,
que a loja chamou de Natal. 


San Rodrigues

MISTO...

Na cumeeira
de pensamentos assustados,
esculpi uma reação minha,
inteira,
toda eira.
Num misto de euforia
dentro do desespero,
eu compasso,
a metáfora
e o arremedo.


San Rodrigues

VELA E NOITE...

Veio a vela
velar a noite.
Bruma.
Lua na folha branca.
Melan Cólis.
Me dói a alma em redemoinhos
andarilhos.
A parede retribui os olhos atônitos
e eu só quero o verso do verso
antes do dia ressuscitar.
Segurei o poema
até o dia alvejar.
Deus feriu minha coxa,
mas eu aprendi amar.

San Rodrigues

SILÊNCIO ECO SILENCIO...

O galho chorou
todos os passarinhos.
A água era tão lenta
que os peixes planavam.
Toda folha em clorofila,
brotava uma árvore todinha.
O vento dava nó nas calçadas vazias.
Tudo morava antigo
e ia remando até daqui à pouco
e eu veraneio
tantas saudades,
com silêncio fazendo eco,
depois do outro silêncio.
Depois do outro,
do outro.
Até eu ter minha
sombra para brincar.


San Rodrigues

NOITE NOVA....

Todos os mares alvejam
meus horizontes
e se derramam na minha tarde,
que não é mais minha.
Filha envelhecida
da noite nova
e lentamente vou
tardando me devolver,
me resolver,
me inebriar.


San Rodrigues

ALÉM DO RESPIRO...

Marola.
A dança lenta
do mar e da lagoa,
que conta a história
da pedra que feriu
o espelho d´água.
Melissas,
azaléias
e avencas
tem sua maneira de explicar
o mar e a gota,
quando o vento as alisa,
ferindo o espaço que
vai além de mim.
Converso,
inverso
na metade
que rebenta no verso,
mas dali,
só marolo.
Jorro.
Imploro.


San Rodrigues

FLOR NA ÁGUA...

As palavras assustadas,
São um esculpimento interessante.
Leve e alternante.
Começam fio d'Água,
vão correndo rio
e despertam mar.
E eu só barquinho
no espelho de sonhar.


San Rodrigues

HESITAÇÃO...

Bem, a noite chega
e com ela vem
essa sanha de dizer
algumas palavras sobre não hesitar.
Nunca hesitar.
Dobrar a esquina
e não mais parar.
Olhar no olho da fuga,
até amanhecer
e depois continuar por febris horas
insistindo na gota que faz o olho brilhar.
Não hesitei em duvidar
das coisas desesperadas.
Duvidei das seriedades,
esvaziei o que havia por detrás
da cara amarrada
e me morava uma vontade
desesperada de sorrir.
Atrás das regras,
marolam planos infantis
de pintar com sete cores
a sala cinzenta das opiniões constituídas.
No espaço das asas do passarinho,
cabe a ponta do pináculo,
e não hesitando,
enchi um saco com palavras
de todas as idades.
Sacudi todas,
até se cruzarem,
se multiplicarem
e encherem a terra sem forma e vazia.
E todos os dias
chegarão no último fio da noite
que não hesita.


San Rodrigues

16/12/2011

AURORA QUALQUER HORA...

A aurora
infinca no peito
da noite,
o sol do dia inteiro

e bem a tardinha,
a noite se vinga,
lírica
do dia etéreo

e o envelhece melancólico.

Batalha de titãs.
Deuses passarinhos,
cores em correnteza,
cheiros frios,
olhos ancestrais,
pingados de marulhos.

Dobrei
o
papel
e
guardei
o
poema
no
nó
da
garganta.


San Rodrigues

TANTO E MENOS...

O mundo gira todo
inteiro para fazer todo dia,
um dia e uma noite
e colocar minha vida
inteirinha dentro dele.

Tudo lento,
alucinadamente rodopiando
num tufãozinho
de retrocedências
e invasões.

Daqui ao próximo
movimento do átomo
mais verde-oliva,
cabe tanto,
cabe tudo,
cabe torno,
cabe entorno,
a dúvida e o retorno,

o célebre e o entulho.

No dia
cabem todos os instantes
ausentes,
todos os respeitos
e universos de balbúrdias.

Partidos e repartidos no ocaso.
Afetos rebeldes,
que cabem
no jardim das cerejeiras,
no berço de Tchekov.

A lentidão que fornica
com o mistério
e pendura a palavra
na parede rachada.

O dia tem espaço,
pá órbita do prego
e do parafuso.
Do espaçoso
e do obtuso.

Cabe a flor
e a beira da floresta,
a abelha
e a larva da colmeia.

A curva
e o continente incontinente.
O puritano e o indecente,
servo da fé sinuosa,
que dança lasciva
e fervorosa.

No dia não cabem eufemismos.
É o dia todo que cabe neles
e o medo vai para todas as formas,
compassadas ou não
e coça as entranhas.

O berço.

O dia tem entranhas
e o meu resto de dias
picados na memória
ficam nascendo e morrendo lá.

Coisas assim,
não tão estranhas,

mas que vão e vem
demorando a explicação.

Yo con mis sueños.


San Rodrigues

15/12/2011

E AGORA SEU ZÉ?...

De vez em quando
acontece tanta coisa
no berço do intervalo
minha gente,
comigo inteirinho.

Da folha rasgada
a alma vazia,
de vez em quando
é oito horas,
de vez em quando
é amanhã,

de vez em quando
é tanto ano,
de vez em quando
eu quase amo.

De vez em quando
é toda vida,
de vez em quando
aturdida.

De vez em quando chove,
de vez em quando seca

de vez em quando Deus perdoa,
de vez em quando o verbo peca.

De vez em quando nasci,
de vez em quando morri,
de vez em quando nós todos somos.

De vez em quando cinquenta anos.
De vez em quando terminou.

De vez em quando recomeço,
de vez em quando mosquito,
de vez em quando esterco.

De vez em quando me acordo,
de vez em quando no sonho,
de vez em quando me imploro,
de vez em quando me imponho.

De vez em quando
nunca mais serei eterno,
descobrirei que no intervalo
fico menos,
fico terno.

De vez em quando é tanto tempo,
que não cabe em minha pressa.

De vez em quando
a vida é José.
De vez em quando
a vida é festa.


San Rodrigues

VENTILA DOR...

E uma alma leve
planava em cima
de meus verbos tensos.

Quando eles se dobram
e o tempo os venta longe.

Adjetivos lentos
e vastidão de arrebentos
que acontecem na semente,
na casca,
na flor,
e derramam um jardim inteirinho
na boca da tarde.

Deus morreu em minhas saudades
e ressuscitou nas idades que eu plantei.

E o medo disputou raízes
nos lírios e begônias.

Sementes de Leminski,
Teles e Bilac
giram o sol
nesta alma de versos extensos
e eu plano.

Vento ia,
ventoinha,
ventania.


San Rodrigues

IMANÊNCIA...

O dia aguenta,
a pedra olha,

a noite vaza,
a pedra molha,

o vento cega,
a pedra esmola.

O triste pesa,
a pedra chora.

O ano enverga,
a pedra orna.

O galho cai,
a pedra flora,

o sonho vai,
a pedra volta.

O amor resmunga,
a pedra implora.

Deus se muda,
a pedra ora.

A culpa é culpa,
a pedra adora,

o fim se vai,
a pedra dura.

No meio do caminho estavam eus.
Eus estavam no meio do caminho.


San Rodrigues

14/12/2011

ÍNDIGO...

Asas remando
no índigo blue.
Garras capturando nuvens.
Minha evasão.
Olho do penhasco
para a altura de baixo.
Deus plantou uma águia
na minha ousadia.


San Rodrigues

PLANAR...

Acendo a vela,
que acende as sombras,
que acende a página,
que acende mil palavras,
que acende os olhos,
que acende a euforia,
que acende o horizonte,
que acende as asas,
que me ascendem.


San Rodrigues

UM PONTO...

Te beijei
com os olhos
equilibrados na ponta
de meus dedos
dos pés descalços.
Se o beijo é esse Arquimedes,
dai-me um
e moverei o mundo.


San Rodrigues

FAUNOS...

O poente
magoado,
Engolia
o sol eufórico.
E eu
anoitecia.
Enegrecia.
Enlouquecia.


San Rodrigues

FINZINHO DE AR...

Sabe...
tenho duas saudades em mim...
Uma longa
e uma instante.
Esta mais breve
me lembra do respiro
e a mais longa,
de quão longe
se pode chegar
só por respirar.
Saudades assim nascem no
finzinho da tarde.


San Rodrigues

CORA, CORA...

E Deus fez o poeta
do pó das letras
e soprou em suas narinas
os verbos da poesia.
O poema despertou
e fez amor com mil saudades
e alguns desesperos.
Daí nasceu o dia seguinte.
Tolerável.
Enflorado,
menos denso.
Mais Coralina.


San Rodrigues

FIM DE MORPHEUS...

Entalho
poemas
na
noite
sonolenta.
Quando
todas
as
minhas
palavras
indomadas
cavalgam.
Eu,
o
silêncio
e
os
barulhos.


San Rodrigues

DESCARADOSIA...

Frida de coisas indomáveis.
Rimbaud de palavras
perdendo a decência.
Eliot e ausências bravias.
Warhol inquietando as
coisas sérias e tardias.
Oswald com todos os Andrades,
esticando uma semana por 22 milênios,
Comendo gente.
Renitentes com os renitentes.
Anita Tonitruante com as tempestades.
Meus Deus!
Estou com as palavras delirantes
numa febre de poesia.
Quem me domou?
Em que respiração estou?
Qual minha cor embaixo da pele?
Quem me formou que me leve.


San Rodrigues

MIMÉSIS...

Atrás da poesia
moram espantos
e apaixonados desesperos,
corações de vermelho rachado,
flores nascendo
na frincha da hesitação.
Eu no poema voo
enquanto ando pelo chão.


San Rodrigues

EX CENTRO...

Eu ando lentamente e paro,
eu paro lentamente e respiro.
Eu respiro lentamente e choro,
eu choro lentamente e odeio,
eu odeio lentamente e abandono,
eu abandono lentamente e desespero,
eu desespero lentamente e fujo,
eu fujo lentamente e escrevo,
eu escrevo lentamente e amanheço,
eu amanheço lentamente e abraço.
Eu abraço lentamente
e lento faço tudo
com certa
pressa de
amar.


San Rodrigues

DEUS E EU?...

Eu depois de perder tantos eu,
ainda tinha alguma virgindade.
Passos não andados,
sons que estavam
saindo dos rins para a voz,
olhares ainda íntegros.
Nem verdades,
nem mentiras.
Apenas os pensamentos
em estado líquido
sinuando toque.
Deus veio na viração do dia
e perguntou pelo eu.


San Rodrigues

Letras e Atos...

Este espaço é um ensaio para a escrita fotográfica, aquela que vê a cena e provoca as palavras para que possam construir a metáfora da imagem.
Gravando as imagens do diálogo, dos gestos, dos paragrafos, do detalhe nos verbos, em assustadores substantivos e adjetivos maleáveis... que possam traduzir emoções guardadas num lugar secreto.

San Rodrigues

toda leveza nasce de um instante de reflexão...